Pular para o conteúdo

Problemas de saúde comuns no Shih-tzu

Resposta rápida

O Shih-tzu pode ter problemas respiratórios, alergias de pele e alterações nas articulações, como a luxação de patela. Conhecer essas tendências ajuda a observar sinais e organizar o acompanhamento veterinário.

Ler artigo completo ↓

Problemas de saúde comuns no Shih-tzu

Saúde🕒 7 min de leitura
Ilustração de Shih Tzu

Você está descansando no sofá, o seu Shih-tzu está ali por perto parecendo um urso de pelúcia e, de repente, surge um barulho estranho que lembra um ganso grasnando no meio da sala. Ou pior: você pega o pequeno no pulo terminando de engolir algo do chão do banheiro que definitivamente não deveria fazer parte do cardápio.

Se você convive com essa raça, sabe que tanta fofura vem acompanhada de algumas particularidades de saúde bem marcantes. Quais são os problemas de saúde mais comuns no Shih-tzu? De forma direta, os principais desafios envolvem a coprofagia (o hábito de comer fezes), problemas respiratórios como a síndrome dos braquicefálicos e o colapso de traqueia, alergias de pele como a dermatite atópica, e questões articulares como a luxação de patela.

Entender o que acontece no corpo do seu cão faz toda a diferença para evitar sustos e garantir uma vida confortável para ele.

Coprofagia: entenda a causa antes de brigar

Nenhum tutor acorda preparado para ver o próprio cão comendo fezes. O primeiro impulso costuma ser o choque, seguido pela ideia de que o animal está fazendo pirraça ou é simplesmente porco. Vamos esclarecer esse ponto: cães não sentem nojo da mesma forma que nós, e a coprofagia no Shih-tzu não tem ligação com vingança ou falha de comportamento.

Esse hábito tem motivos bem concretos, divididos entre a parte física e a emocional. No aspecto digestivo e nutricional, alimentos com baixa digestibilidade e ricos em grãos podem passar pelo sistema digestivo sem serem totalmente processados. O resultado são fezes que saem do outro lado mantendo um odor forte do alimento original. A presença de vermes intestinais também pode roubar nutrientes vitais e deixar o cão com fome constante, assim como deficiências de vitaminas do complexo B.

No lado emocional, o tédio, a ansiedade de separação e, ironicamente, a própria bronca do tutor desempenham um papel enorme. Quando você grita, bate ou esfrega o focinho do cachorro no dejeto, ele não entende que evacuar ali era errado. Ele entende que a presença do cocô deixa você furioso. A reação lógica do cão passa a ser engolir a feze o mais rápido possível para sumir com a prova antes que você veja.

Para interromper esse ciclo de forma eficiente, algumas atitudes práticas são fundamentais:

  • Elimine completamente qualquer tipo de bronca, grito ou punição.
  • Recolha as fezes imediatamente após a defecação, sem transformar a limpeza em uma disputa por atenção.
  • Ofereça uma alimentação de alta digestibilidade (como rações da categoria Super Premium), reduzindo a quantidade de resíduos não digeridos nas fezes.
  • Enriqueça a rotina com brinquedos interativos e passeios para combater o tédio.
  • Consulte o veterinário sobre a indicação de suplementos específicos que alteram o sabor dos dejetos após a digestão.

Se as mudanças de rotina e o enriquecimento do ambiente não trouxerem resultados em poucas semanas, não insista no mesmo erro. O cão precisa ser avaliado por um veterinário para investigar causas clínicas como a Insuficiência Pancreática Exócrina (IPE), giardíase ou infestações por parasitas que impedem a absorção de nutrientes.

O colapso de traqueia e a famosa tosse de ganso

A traqueia deveria funcionar como um canudo firme e flexível, permitindo que o ar passe sem resistência. No Shih-tzu, os anéis de cartilagem que sustentam esse tubo podem perder a rigidez com o passar do tempo. Quando o cachorro faz um esforço maior para puxar o ar, a parede da traqueia se achata e as superfícies internas encostam uma na outra, bloqueando a passagem. É esse o processo por trás do colapso de traqueia.

O sintoma mais marcante é uma tosse seca e repentina que lembra bastante o grasnar de um ganso. Ela costuma dar as caras quando o cão fica muito eufórico na hora de brincar, corre pela casa ou encara dias mais abafados.

Falando em calor, a própria anatomia da raça complica a situação. Por ser um cão braquicefálico, com crânio encurtado e focinho achatado, a estrutura respiratória é naturalmente mais estreita. Como os cães dependem da respiração para regular a temperatura do corpo, o trabalho para se resfriar nos dias quentes exige um esforço enorme, aumentando o risco de superaquecimento.

Para evitar pressões desnecessárias sobre a traqueia, existe uma regra básica de segurança: aposente as coleiras de pescoço e os enforcadores. Puxar a guia presa ao pescoço comprime a cartilagem fragilizada e funciona como um gatilho direto para as crises de tosse. A substituição por um peitoral de tração é indispensável para o bem-estar do pet.

Manter o peso sob controle é outra medida fundamental, já que a gordura acumulada no peito sobrecarrega a mecânica da respiração. Em paralelo, evite passeios nos horários de sol forte e mantenha o animal longe de fumaça de cigarro ou produtos de limpeza com odores marcantes.

Fique atento aos sinais de emergência respiratória grave. Se o Shih-tzu apresentar cianose (gengivas e língua arroxeadas, pálidas ou azuladas), síncope (desmaios após tossir ou fazer esforço), postura de tripé (parado com as patas dianteiras bem afastadas, pescoço esticado e boca aberta buscando ar) ou dispneia severa com a barriga se contraindo com força para respirar, leve-o imediatamente a um pronto-atendimento veterinário 24 horas.

Dermatite atópica e a pele sensível

Se você costuma ver o seu Shih-tzu lambendo as patinhas sem parar ou se coçando até deixar a pele avermelhada, ele pode fazer parte do grupo afetado pela dermatite atópica.

Imagine a pele saudável de um cão como um telhado com telhas perfeitamente encaixadas. Na dermatite atópica, existe uma falha genética nessa proteção natural, como se o telhado tivesse telhas quebradas ou ausentes. Sem a barreira firme, microalérgenos do ambiente, incluindo ácaros, poeira e pólen, entram com facilidade e inflamam a região.

Essa vulnerabilidade gera um ciclo constante de coceira, vermelhidão e queda de pelo, além de criar feridas que facilitam infecções secundárias por bactérias e fungos, como a Malassezia. Uma boa rotina é aproveitar o momento da escovação diária, essencial para evitar nós na pelagem longa, para examinar a pele, as dobras do focinho, a barriga e o espaço entre os dedos.

No entanto, nem toda coceira tem origem atópica. Infestações por pulgas, sarna ou o crescimento excessivo de fungos provocam reações parecidas na superfície. Apenas o veterinário, com o auxílio de exames como o raspado de pele e a citologia, consegue identificar a causa real e indicar o tratamento adequado.

Patela fora do lugar: o cuidado com os joelhos

A estrutura física do Shih-tzu também exige atenção especial com as articulações das patas traseiras. A luxação de patela ocorre quando a rótula sai do seu trilho ósseo no fêmur.

Na prática, a cena costuma ser bem característica: o cão está caminhando normalmente e, de repente, dá um pulinho recolhendo uma das patas de trás. Alguns passos depois, a articulação encaixa novamente no lugar e ele volta a andar como se nada tivesse acontecido.

Saltar de locais altos, como sofás e camas, gera um impacto mecânico severo sobre os joelhos de cães pequenos. Colocar rampas ou escadinhas ao lado dos móveis que ele costuma acessar ajuda a amortecer esse desgaste. O controle do peso corporal entra aqui mais uma vez como um fator decisivo para não sobrecarregar as patelas.

A convivência com um Shih-tzu é extremamente recompensadora, mas pede atenção constante aos detalhes físicos e ao comportamento do cão. Trocar a coleira pelo peitoral, manter vacinas e vermífugos em dia, oferecer uma alimentação de qualidade e observar a pele durante os cuidados diários evita complicações sérias. Ao notar qualquer alteração persistente ou desconforto na rotina do animal, consulte um veterinário para obter um diagnóstico seguro.

Compartilhar:💬🔗
← Explorar cães

Mais sobre Shih Tzu

Uma nova seleção de leituras a cada visita.

Comportamento

Qual é o temperamento do Shih-tzu?

O Shih-tzu costuma ser dócil, afetuoso e bastante ligado à família. Gosta de companhia, mas também precisa aprender a lidar com pequenas ausências e com as regras da casa.

🕒 6 min de leituraLer agora →
Saúde

Quanto tempo vive um Shih-tzu?

Em geral, um Shih-tzu vive de 12 a 16 anos. Essa faixa é uma referência, não uma promessa: genética, peso, rotina e acompanhamento veterinário fazem diferença.

🕒 6 min de leituraLer agora →
Raças

Shih-tzu é bom para apartamento?

O Shih-tzu costuma se adaptar bem a apartamentos. Isso não elimina passeios, brincadeiras, companhia e cuidados com o calor. Moradia pequena pode funcionar; rotina sem atenção, não.

🕒 6 min de leituraLer agora →